O artista e a importância do desenho


Francis Bacon - 2009/1992 -  arte figurativa
Não, essa obra não é resultado  de alguém que desconhece as proporções anatômicas do corpo humano ou de quem  não sabe desenhar.
Ao observar  um quadro  do artista Francis Bacon  se depara com suas figuras grotescas e distorcidas, porém, são recursos propositais para expressar sua linguagem pictórica vinda de uma intensa busca de situações complexas observadas por fora ou talvez por dentro de si mesmo.
 Para alcançar esse nível de construção artística, ele não apareceu de repente através de algum fenômeno como o do Big Bang.
Bacon não se fez da noite para o dia e certamente nunca foi um pintor de final de semana.
Um artista nasce com seu dom, mas, ainda não está apto para formalizar sua capacidade criativa sem antes firmar-se no exercício do desenho colocando em ativa seu sistema sensorial que passa a ser enriquecido com o fazer artístico.

Não pular etapas

Os primeiros passos que um novo artista vai ter que trilhar é sem dúvida criar intimidade com o desenho. O desenho é fundamental para um novo artista, ele é o suporte que dá estrutura, é o esqueleto para dar sustentabilidade a sua arte facilitando sobremaneira a expressão exata que você deseja transmitir no ato espontâneo do CRIAR. Se você pular etapas, certamente vai encontrar obstáculos na hora de interpretar uma ideia concebida.

Estilo e identidade

Após dominar essa fase inclusive com o acréscimo das cores, treinando sombras, luminosidade, perspectivas, observando a distância e proximidade pretendida, volume, você estará apto para suas próprias formas, criando então um estilo o que vai personalizar sua maneira de se expressar de acordo com o momento criativo com mais desempenho e praticidade.

Desenho de Van Gogh - Canal, outubro 1872, primavera 1873
Não se esqueça de que, para um bom artista, seus próprios desenhos são por si só uma obra de arte porque é dali que foi germinada a ideia de uma nova obra.

A princípio...
Papel jornal

Você vai precisar de uma folha de papel jornal, sulfite ou canson e lápis para desenho que vai do 9 H ao 9B, incluindo o F e HB, (eu gosto do 6B) e uma caixa de lápis de cor aquarelavel para a segunda etapa do seu desenho quando você vai aplicar as cores, isto é: dar mais vida ao seu trabalho


É bom que você comece com formas  simples usando o  lápis inclinado, delineando o conteúdo pretendido. e para dar forma  observe as sombras, trabalhando os contorno deixando a parte clara para dar brilho e volume. Depois de treinar no papel jornal, você já poderá passar para os papéis mais nobres como o sulfite, canson ou outros próprios para desenho.
Para o preenchimento dos seus desenhos, use qualquer tipo de traço, desde que esse traço seja repetitivo e você  venha a completar todos os elementos sem falhas na superfície.

Tipos de lápis para desenho
Lápis de cor aquarelavel
O lápis aquarelável tanto pode ser usado com água ou sem água. Sem água faz a pintura normal, porém, se for usar com pouquinha água então pode ser o da marca canson com gramatura 140 mas se for usar bastante água então tem q ter gramatura maior. Quanto maior a gramatura mais grosso é o papel. Se usar papel fino ele vai enrugar e pode até rasgar.

Lápis de cor em papel canson
Você poderá desenvolver algumas técnicas de desenho com o lápis aquarelável acessando o site Estúdio de arte- Faber Castell.

O  futuro artista começa a desenhar formas que fazem parte de sua visão habitual e familiar. São objetos, uma árvore, uma casinha, um animal, figuras geométricas, traços aleatórios [vindos de uma fase mais evoluída], brotada da  abstração  do desapego das formalidades que lhe dá liberdade de mergulhar dentro de sua mente a fim de desenvolver a criatividade arrancando de dentro do seu  intelecto suas próprias formas e cores dando-lhes motivos e razões que,  inclusive  quando ampliadas com o decorrer da prática. vai definir um perfil, criar estilo próprio, registrar uma marca pessoal.

Observar:  luz, sombra, cor, volume, proporção, verticalidade-horizontalidade,  movimento.

Estabelecer um horário para trabalhar no desenho.


Quando ir para uma tela em branco?

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Você terá que estar dominando com espontaneidade suas formas pretendidas afim de começar a passar suas experiências para uma tela. Não tenha medo de errar.


Elma Carneiro

Veja também a postagem  Van Gohg por Van Gohg neste espaço de artes clicando no link ou na imagem abaixo.




Falando sobre arte: Chovendo no molhado (Ferreira Gullar)

 
Falando com sinceridade: você acha mesmo que pôr cocô numa lata é fazer obra de arte? Teve um cara que fez isso e o que ele quis dizer, ao mandar a latinha com merda para uma galeria de arte, é que arte é merda, certo? Ele estava copiando Marcel Duchamp.
Tratava-se de um protesto? Sim, pode ser, mas protestar não é, por si só, fazer arte. Aliás, há muita poesia de protesto que de poesia não tem nada. É que arte de protesto, antes de tudo, tem que ser arte.  É verdade que o conceito de arte foi mistificado e houve época mesmo em que a habilidade técnica era tida como arte. Mas tudo isso foi posto abaixo pelos verdadeiros artistas. Aliás, a revolução estética, que marcou o início da arte moderna, consistiu precisamente em repelir essa falsa concepção de arte. Picasso disse certa vez: "Estou pintando uma tela, vou pôr ali um azul; se não tenho azul, ponho um verde". Essa frase, que pode parecer uma piada, é de fato a desmistificação da atividade artística. O que ele disse, de fato, foi que a criação artística nasce de um jogo de acaso e necessidade. É que, ao iniciar o quadro, a tela está em branco, tudo ali pode acontecer, mas, desde o momento em que se lança a primeira pincelada, reduz-se a probabilidade e começa o processo que irá tornando necessário o que era mero acaso. Isso porque a pintura é uma linguagem, com leis e exigências, que não estão escritas, em função das quais a obra ganha coerência e significação. Expressão, em princípio, tudo é, já que o que existe expressa algo, tem um significado, seja um gato, uma pedra, uma mancha na parede. Mas são diferentes o significado natural que cada coisa tem e o significado criado pelo músico ao trabalhar a linguagem musical, pelo poeta ao trabalhar a linguagem literária, pelo pintor ao trabalhar a linguagem pictórica. Em suma, ainda que você admita que pôr casais nus num museu expresse algo, não negará que aqueles casais não são obra de nenhum artista como os quadros que estão ali nas paredes. Qualquer pessoa que tenha um mínimo conhecimento de arte sabe que a expressividade de uma obra artística é resultado da capacidade do autor de lidar com os elementos constitutivos de sua linguagem: a linha, a forma, as cores, a matéria pictórica, incutindo-lhes uma significação que só existirá ali.
Exemplo: a noite estrelada que Van Gogh pintou é uma invenção única dele que a linguagem da arte possibilita. Não é simplesmente uma ideia, mas o produto de uma ação manual, técnica e semântica no âmbito de um universo linguístico chamado pintura. É diferente de simplesmente ter uma ideia, cuja criação em nada depende de você ter ou não capacidade técnica de realizá-la ou o domínio de uma linguagem, qualquer que seja. O artista conceitual não precisa saber fazer, não precisa fazer e, como não possui linguagem, usa o que já existe e que não foi ele quem fez. De onde vem então o significado do que não foi feito? Como já disse, tudo o que existe significa, o que não quer dizer que seja uma linguagem, já que esta implica significados inventados por nós. Por isso mesmo, os povos primitivos viam numa montanha um deus ou um demônio. A significação de uma coisa, um corpo, um objeto, decorre de sua inserção no sistema simbólico humano. Por exemplo, estar nu em um museu tem significação diferente de estar nu em seu quarto. A diferença óbvia é que o museu é um lugar público, o que torna a nudez chocante. Então, pergunto, por que ficar nu no museu é obra de arte e, no quarto, não? A resposta óbvia é que, para tornar-se "arte", o nu necessita da instituição museu, ou seja, seu significado não é inerente a ele e, sim, à situação em que se encontra. Isso o torna essencialmente diverso do que conhecemos como obra de arte, cujo significado estético só existe nela, na obra e, mais que isso, é expressão de uma linguagem que é anterior a ela e que se amplia nela e em cada nova obra de que o artista crie. A Mona Lisa não precisa do Louvre para ser obra de arte; é o Louvre que precisa dela para ser museu.

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Ferreira Gullar é cronista, crítico de arte e poeta. Escreve aos domingos na versão impressa de "Ilustrada".
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Aula sobre arte, cores e harmonia

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Cores, formas, repetição, ritmo, contraste, peso visual e harmonia. É tudo o que você precisa para criar obras de arte, mesmo que seus traços sejam focados no figurativismo  a regra é a mesma, salvo  na arte abstrata  onde há uma visível diferença nos conceitos porque você vai estar criando sem a interferência de algo já existente. Você será o inventor da sua própria arte com traços  e cores peculiares extraídas do seu raciocínio, da sua sensibilidade.



 A própria natureza é o melhor exemplo de como podemos realizar uma completa harmonia de cores e texturas. Para quem é pintor é só acompanhar as nuances para acertar a perfeição dessa beleza conhecendo suas infinitas variações
Quer aprender a combinar as cores? olhe para a natureza, confira e vá sem medo de errar. Nessa mostra o encanto dos corais de recife. Apreciem.

Elma Carneiro
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Toulouse-Lautrec o pequeno gigante

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Em 31 de março de 2012 10:01 na postagem O artista e sua função recebí o comentário de uma leitora de nome Márcia Oliveira com os sequintes dizeres:
"Elma gostaria muito que postasse algo sobre Toulouse Lautrec. Seu blog é valiosíssimo! Parabéns!"
Pois bem Márcia, depois de algumas pesquisas apresento algo sobre a biografia deste grande artista bem com algumas de suas obras.
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Prostitutas, cabarés e cervejarias estão inevitavelmente associados ao nome de Henri de Toulouse-Lautrec e sua arte.

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Femme enfilant son bas (1894)
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Toulouse-Lautrec o pequeno gigante das artes de Montmatre em Paris
Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa (1864 – 1901) foi um pintor pós-impressionista e litógrafo francês, conhecido por pintar a vida boêmia de Paris do final do século XIX.
Nascido na nobreza francesa, possuía uma linha de ancestrais de nomes aristocráticos. Seu pai era o Conde Alphonse de Toulouse-Lautrec-Monfa, Alf para os amigos, e sua mãe Adéle Tapié de Céleyran. Queriam seus pais que o filho seguisse com esmero o mesmo caminho nobre de toda a sua família, tanto materna quanto paterna. Toulouse-Lautrec sofria de uma doença desconhecida em sua época. Certamente uma distrofia poli-hipofisária, que é um desenvolvimento insuficiente de certos tecidos ósseos. Sofreu dois acidentes em sua juventude, fraturando o fêmur esquerdo aos doze anos e o direito aos quatorze anos. Os ossos mal soldados pararam de crescer e fizeram com que Henri não ultrapassasse a altura de 1,52 m, tornando-se um homem com corpo de adulto, mas com pernas curtas de menino.
Estudou com Fernand Cormon, cujo estúdio ficava nas ladeiras suburbanas de Montmartre, em Paris. É lá que Lautrec descobriu a inspiração que lhe faltava mas não seguiu nenhuma escola: optou pela modernidade. A arte em movimento era seu credo. A ironia, sua força. Mudou-se para aquele bairro de má fama e encontrou seu lugar entre trabalhadores, prostitutas e artistas de caráter duvidoso. 
Sendo ele mesmo um boêmio, faleceu precocemente aos 36 anos de sífilis e alcoolismo.
Trabalhou por menos de vinte anos mas deixou um legado artístico importantíssimo, tanto no que se refere à qualidade e quantidade de suas obras, como também no que se refere à popularização e comercialização da arte.
Toulouse-Lautrec revolucionou o design gráfico dos cartazes publicitários, ajudando a definir o estilo que seria posteriormente conhecido como Art Nouveau.
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Cartaz publicitário
 O cartaz litográfico colorido é uma nova ferramenta de divulgação de locais de lazer parisienses. Apesar da litografia cheia de cores de seu tempo poder acomodar dezenas de cores em um só cartaz, Lautrec geralmente escolhia apenas 4 ou 5, as vezes 6, raramente 6 cores. Ao invés de usar uma multiplicidade de cores, Henri preferiu criar seus efeitos com justaposições e modulações delicados.
 
Frequentador assíduo do Moulin Rouge e outros cabarés, o pequeno nobre acaba se acomodando muito bem naquele ambiente tão estranho que seus pais nunca aceitaram em ter o filho. 
O tema principal das pinturas de Toulouse-Lautrec era a vida boêmia parisiense, que ele representava através de um desenho que lembra a espontaneidade do desenho satírico de Honoré Daumier, e uma composição dinâmica que poderia ter sido influenciada pela fotografia e as gravuras japonesas, dois fatores de grande importância cultural no fim do século XIX.
Levando uma vida boêmia, o artista exagerava no consumo de bebidas alcoólicas e nos diversos relacionamentos com mulheres. Com este comportamento, contraiu sífilis. 
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Lautrec é responsável pela criação de um coquetel explosivo chamado carinhosamente de… Terremoto.  É uma mistura potente de 1/2 parte de absinto e 1/2 parte de conhaque, servido em copo de vinho sobre cubos de gelo ou batido com gelo em coqueteleira.
Em 1899, a vida desregrada e o excesso de álcool finalmente cobram seu preço do artista. Lautrec sofre de crises e é internado numa clínica psiquiátrica. Ao sair é constantemente vigiado para que não beba e não volte a frequentar os bordéis, vigilância que ele consegue burlar. Sua saúde vai-se deteriorando cada vez mais, até que em 1901 não é mais capaz de viver sozinho. Henri despede-se de Paris com a certeza de que está com os dias contados. Sofre ataques de paralisia e quase não consegue mais pintar.
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Castelo de Malromé onde morreu Toulouse-Lautrec nas proximidades de BordeauxCastelo onde
Em 9 de Setembro de 1901, Henri de Toulouse-Lautrec morre nos braços de sua mãe, no Castelo de Malromé, perto de Bordeaux, às duas horas e quinze minutos da manhã. Estima-se que Lautrec tenha pintado mais de 1000 quadros a óleo (737 estão catalogados), feito mais de 5000 desenhos (275 aquarelas, 5084 desenhos catalogados) e por volta de 363 gravuras e cartazes.
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 Obras de Toulouse-Loutrec 

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Retrato de Carmem Glaudin
Em uma Sala privada
Salon at the Rue des Moulins, 1894
As Duas Amigas (c. 1894–95)
Alone
Na Cama (1893)
seated-dancer-in-pink-tights-1890 ______-_A Inspeção Médica no Prostíbulo da Rue des Moulins (1894)-1894
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 Mais obras neste site: Henri de Toulouse Lautrec

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As bandeirinhas de Alfredo Volpi

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Alfredo Volpi foi artista plástico ítalo-brasileiro e é  considerado um dos principais artistas da Segunda Geração da Arte Moderna Brasileira. 
Ganhou destaque com pinturas representando casarios e bandeirinhas de festas juninas.

 Atuou como pintor decorador de residências de famílias da alta sociedade paulistana, fazendo pinturas em paredes e murais; Explorou as formas e composição de cores com grande impacto visual.
Nos anos 50 enveredou para o campo do abstracionismo geométrico. Foi neste período que começou a retratar bandeirinhas de festas juninas. 





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Paul Klee: Um quadro em discussão

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Revolução do Viaduto

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Texto extraido do último capítulo do livro de Susanna Partsch - KLEE - da edição original de 1992

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Projeto de Fritz Tamms, para uma ponte da auto-estrada, sobre o Werra (A arte do Terceiro Reich, 1941)
Em 1937 Paul Klee pintava um dos seus quadros mais célebres. Esta obra encontra-se hoje na «Kunsthalle» , de Hanburgo. Os críticos são unânimes em afirmar que se trata de uma obra de cunho político e histórico, mas as interpretações sobre o seu significado divergem.
Em 1937, realizou-se também em Munique a exposicão «Arte Degenerada», na qual Klee apresentou cinco quadros a óleo, nove aquarelas e três desenhos. Depois, 102 das suas obras foram confiscadas às coleções públicas. Nos seus escritos, Klee nunca se manifestou sobre estes dois fatos.1937 foi também o ano em que Klee recomeçou a pintar, após a interrupção de um ano, por causa da doença. A obra à qual, durante este ano, dedicou mais tempo foi Revolução do Viaduto (Revolution des Viaductes). O tema foi tratado em cinco versões; é sobre a última versão que iremos debruçar-mos. Klee nunca se apresentou em nenhuma exposição. Foi em 1940 que o público a descobriu pela primeira vez, quando da exposição comemorativa de Berna.
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Paul Klee - Revolução do Viaduto foi uma declaração de guerra contra o nazismo
Paul Klee – Revolution des Viaductes 1937 -
 Óleo sobre fundo de óleo sobre algodão sobre moldura de cunha, 060x050cm –
 Hamburgo, Hamburger Kunstha
O fundo deste pequeno quadro retangular é de um azul relativamente uniforme, que em alguns lugares se torna ligeiramente violeta. Destacando-se deste fundo, arcos de tamanhos e cores diferentes avançam sobre o observador. Mas, em vez de se apresentaram num alinhamento regular, eles formam um amontoado desordenado. O seu tamanho desigual e suas cores vêm acentuar esta impressão. Durante muito tempo, críticos eram unânimes em afirmar que Klee tinha mostrado aqui a ameaça que constituem os movimentos totalitários. Os arcos avançam, assim, «anunciando um mau agouro ao observador» (Geelhaar); um mundo chegado a maturidade vê-se espezinhado e destruído (Haftmann< e Schimidt vê neles as retumbantes legiões castanhas. Num artigo publicado em 1987, Werckmeister pôs em causa, e com razão, estas interpretações. os arcos, nas cores amarela, laranja, rosa e vermelha, uns atarracados, outros finos e altos e outros ainda com pilares de diâmetro desiguais, não simbolizam um «movimento totalitário», que se distingue precisamente pela uniformidade e conformismo e exclui toda a originalidade. Aqui, trata-se manifestamente, de indivíduos todos diferentes uns aos outros.

Klee tinha dado o título de Arcos de ponte diferentes (Brückenbogen treten aus der Reihe) à penúltima versão. Este titulo de um desenho muito semelhante a este quadro sugere uma rejeição da ordem estabelecida. Graças à construção de autoestradas, as pontes ocupavam um lugar importante na arquitetura do Nacional-Socialismo. Os seus arcos bem alinhados, a maior parte das vezes com a mesma altura e largura, simbolizavam a conformidade. Mas os arcos representados por Paul Klee não se conformam com isto. Recusam-se a continuar a ser apenas um ele da cadeia e cada um deles procura existir por si próprio. Por isso, «eles saem da ordem», eles fazem «revolução». Cada um por si, e não a passo certo, vão ao encontro do observador. Estão conscientes da sua força, devido à sua superioridade numérica e, se gostariam de espezinhar qualquer coisa, seria a ordem que os obrigou à conformidade. O quadro, com toda a ameaça nele contida, é uma declaração de guerra contra os nacional-socialistas, que tinham conseguido reprimir toda a individualidade na Arte, sempre que esta recusou a uniformização.

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Clique na imagem abaixo e entre na página de Paul Klee e leia mais sobre sua vida e arte em Um artista em essência.

Os conceitos da arte

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Obra: “Fantasma”
Artista: Antonio Manuel
Instalação – Madeira queimada, foto, fio, flash, 1994
MAM – Rio de Janeiro


Arte Conceitual

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Definição: da arte conceitual:"se eu disser que é, é" .
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Para a arte conceitual, vanguarda surgida na Europa e nos Estados Unidos no fim da década de 1960 e meados dos anos 1970, o conceito ou a atitude mental tem prioridade em relação à aparência da obra. O termo arte conceitual é usado pela primeira vez num texto de Henry Flynt, em 1961, entre as atividades do Grupo Fluxus. Nesse texto, o artista defende que os conceitos são a matéria da arte e por isso ela estaria vinculada à linguagem. O mais importante para a arte conceitual são as idéias, a execução da obra fica em segundo plano e tem pouca relevância. Além disso, caso o projeto venha a ser realizado, não há exigência de que a obra seja construída pelas mãos do artista. Ele pode muitas vezes delegar o trabalho físico a uma pessoa que tenha habilidade técnica específica. O que importa é a invenção da obra, o conceito, que é elaborado antes de sua materialização.

Instalação de Joseph Kosuth, chamada One and Three Chairs, 1965.
 O artista expõe uma fotografia de uma cadeira
uma definição de dicionário e a própria cadeira.

Devido à grande diversidade, muitas vezes com concepções contraditórias, não há um consenso que possa definir os limites do que pode ou não ser considerado como arte conceitual. Segundo Joseph Kosuth, em seu texto Investigações, publicado em 1969, a análise lingüística marcaria o fim da filosofia tradicional, e a obra de arte conceitual, dispensando a feitura de objetos, seria uma proposição analítica, próxima de uma tautologia. Como, por exemplo, em Uma e Três Cadeiras, ele apresenta o objeto cadeira, uma fotografia dela e uma definição do dicionário de cadeira impressa sobre papel.
O grupo Arte & Linguagem, surgido na Inglaterra entre 1966 e 1967, formado inicialmente por Terry Atkinson, Michael Baldwin, David Bainbridge e Harold Hurrel, que publica em 1969 a primeira edição da revista Art-Language, investiga uma nova forma de atuação crítica da arte e, assim como Kosuth, se beneficia da tradição analítica da filosofia. O grupo se expande nos anos 1970 e chega a contar com cerca de vinte membros. E Sol LeWitt, em Sentenças, 1969, sobre arte conceitual, evita qualquer formulação analítica e lógica da arte e afirma que "os artistas conceituais são mais místicos do que racionalistas. Eles procedem por saltos, atingindo conclusões que não podem ser alcançadas pela lógica".

Retrato de Iris Clert, de Rauschenberg.
O artista escreveu um telegrama dizendo:
"Este é um retrato de Iris Clert, se eu disser que é"
Apesar das diferenças pode-se dizer que a arte conceitual é uma tentativa de revisão da noção de obra de arte arraigada na cultura ocidental. A arte deixa de ser primordialmente visual, feita para ser olhada, e passa a ser considerada como idéia e pensamento. Muitos trabalhos que usam a fotografia, xerox, filmes ou vídeo como documento de ações e processos, geralmente em recusa à noção tradicional de objeto de arte, são designados como arte conceitual. Além da crítica ao formalismo, artistas conceituais atacam ferozmente as instituições, o sistema de seleção de obras e o mercado de arte. George Maciunas, um dos fundadores do Fluxus, redige em 1963 um manifesto em que diz: "Livrem o mundo da doença burguesa, da cultura 'intelectual', profissional e comercializada. Livrem o mundo da arte morta, da imitação, da arte artificial, da arte abstrata... Promovam uma arte viva, uma antiarte, uma realidade não artística, para ser compreendida por todos [...]". A contundente crítica ao materialismo da sociedade de consumo, elemento constitutivo das performances e ações do artista alemão Joseph Beuys, pode ser compreendida como arte conceitual.
Embora os artistas conceituais critiquem a reivindicação moderna de autonomia da obra de arte, e alguns pretendam até romper com princípios do modernismo, há algumas premissas históricas que podem ser encontradas em experiências realizadas no início do século XX. Os ready-mades de Marcel Duchamp, cuja qualidade artística é conferida pelo contexto em que são expostos, seriam um antecedente importante para a reelaboração da crítica dos conceituais.
Outro importante antecedente é o Desenho de De Kooning Apagado, apresentado por Robert Rauschenberg em 1953. Como o próprio título enuncia, em um desenho de Willem de Kooning, artista ligado à abstração gestual surgida nos Estados Unidos no pós-guerra, Rauschenberg, com a permissão do colega, apaga e desfaz o seu gesto.


Robert Rauschenberg 
Robert Rauschenberg comprou um desenho feito a lápis do artista plástico Willem de Kooning em 1953. Depois, apagou o desenho sem dó nem piedade e assinou a obra como se fosse sua com o nome de “Desenho de De Kooning Apagado".

 A obra final, um papel vazio quase em branco, levanta a questão sobre os limites e as possibilidades de superação da noção moderna de arte. Uma experiência emblemática é realizada pelo artista Robert Barry, em 1969, com a Série de Gás Inerte, que alude à desmaterialização da obra de arte, idéia cara à arte conceitual. Uma de suas ações, registrada em fotografia, consiste na devolução de 0,5 metro cúbico de gás hélio à atmosfera em pleno deserto de Mojave, na Califórnia.

Cildo Meireles - Quem matou Herzog?
O brasileiro Cildo Meireles, que participa da exposição Information, realizada no The Museum of Modern Art - MoMA [Museu de Arte Moderna] de Nova York, em 1970, considerada como um dos marcos da arte conceitual, realiza a série Inserções em Circuitos Ideológicos. O artista intervém em sistemas de circulação de notas de dinheiro ou garrafas de coca-cola, para difundir anonimamente mensagens políticas durante a ditadura militar.
Fonte:daqui
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. Leia neste mesmo espaço os conceitos de Ferreira Gullar, um dos maiores e mais sérios críticos de arte do Brasil na postagem:
FALANDO SOBRE ARTE - CHOVENDO NO MOLHADO (FERREIRA GULLAR)  

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Caminhos da arte

 Paisagem em óleo s/ tela  de um trecho do Córrego Botafogo de Goiânia- prêmio de seleção do Banco do Brasil
As Margens do Botafogo

 
Como toda pintura de um artista iniciante, seus trabalhos carregam traços de estilo primitivo pela inexperiência com o desenho como na distribuição das cores.


No início dos anos 80 resolvi levar adiante um dos meus sonhos e, munida de lápis 6B e papel jornal prestei alguns exames   para ingressar na seleção do Curso Livre de Artes da Universidade Federal de Goiás. Após ter sido aprovada no gabarito que avaliava o grau de aptidão arística, iniciei as aulas de desenho com bons professores como também técnicas de pintura incluindo as de aquarelas, guache, nanquim (bico de pena), óleo sobre tela, colagem e algumas poucas aulas de escultura em terracota.

Esse foi o começo de uma maratona de atividades com cursos e muito estudo que me levaram as primeiras exposições em coletivas, algumas com prêmios que me deram um grande incentivo. Iniciei minha carreira como todo artista: pintando paisagens, natureza morta, objetos e rostos, mas eu nunca tinha a intenção de fazer retratos. Eram rostos criados por minha imaginação focando a expressividade emocional. Nunca tive muita atração pela arte figurativa, apesar de que hoje, depois de mergulhar nas abstrações vejo a necessidade de colocar pelo menos alguns vestígios de imagens identificáveis e habituais do nosso olhar do dia a dia.
Mais tarde frequentei um curso dado pela escultura e pintora Maria Guilhermina em sua escola de artes as margens do Córrego Botafogo, e ali eu tinha uma visão ampla daquele trecho.
Eu tinha medo de pintar errado, de fazer o ridículo e grosseiro, de não saber fazer as coisas certas tal meu respeito pelas artes.
Estimulada pelo artista e professor Noé Luiz fundador/construtor da Catedral das Artes, um espaço para divulgação de artistas que tem como apoio do Instituto Cultural Noé Luiz da Mota em Goiânia. Noé Luiz enquanto meu professor de pinturas apregoava também a total liberdade de expressão artística e foi meu grande incentivador para fazer parte de um concurso de artes inaugurando assim minha participação em coletivas.

A tela "As margens do Botafogo" que ilustra essa postagem, deu-me o prêmio de (seleção) do Banco do Brasil. Esse foi um bom começo e os caminhos começaram a se abrir para mim.

Assim se encontra  hoje  o córrego Botafogo

Esse córrego hoje é todo canalizado, a paisagem natural desapareceu, dando lugar a prédios e a casas bem mais estruturadas. O tempo passa inexoravelmente e o progresso das cidades faz com que as paisagens mudem de aspecto. Hoje no local, toneladas de concreto escondem a terra e, da visão rústica e simples restou na minha lembrança apenas a do registro dos meus pincéis. Não há mais barranco em suas margens, as garças brancas desapareceram e nem os lambarís que habitavam seu leito não existem mais.

Elma Carneiro
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A excentridade e a vaidade do artista não deve sobrepujar sua própria arte - Elma Carneiro

Carta de Van Gogh

Assinatura de Van Gogh numa carta, sem data(c. stembro de 1888)
As afirmações de Van Gogh relacionadas especificamente com suas ideias e teorias sobre arte não são numerosas, e em sua maioria muito simples e diretas. Ocorrem quase que exclusivamente durante um período muito breve, os primeiros poucos meses frutíferos e idílicos quando, tendo deixado Paris aos 35 anos, fixou-se em Arles para permanência que durou de fevereiro de 1888 até maio de 1889. Há várias razões pelas quais essas idéias e teorias apareceram em suas cartas, naquele momento específico e por um tempo tão curto.
Gozou em Arles, pela primeira vez em dois anos, a solidão de que tanto precisava, e que fora incapaz de conseguir em Paris, onde viveu com o irmão Theo e conheceu artistas nos estúdios e cafés de Montmarte. Seu elevado conceito moral do que significava ser artista, com raízes num espírito profundamente religioso, não lhe permitia tolerar por muito tempo a boêmia alegre da maioria dos seus colegas. Quando finalmente fixou seu estúdio na Casa Amarela de Arles, desligara-se das muitas personalidades e forças artísticas de Paris que tanto o haviam envenenado, e foi capaz, por fim, de considerar-se um artista independente. Agora dispunha de tempo e lazer para especular sobre muitas ideias e teorias de arte que ouvira, e que ele próprio discutira em Paris.
Vincente Van Gogh, Auto-retratos desenhados numa carta de marco de 1886
Desenho Vincente van Gogh, auto-retratos de uma carta de março de 1886.

Como vivia em Paris em íntimo contato pessoal com o irmão e os amigos artistas de Theo, não havia maior necessidade de anotar as várias ideias sobre a arte que lhe precorriam a mente. Assim, em Arles, descobriu um ambiente natural prefeitamente adequado à meditação sobre teorias discutidas em Paris.
As cartas escritas durante os primeiros meses de Arles, enquanto assimilava as influências dos movimentos artísticos parisienses ao seu estilo individual e forte, estão cheias de pensamentos dos seus amigos e de reflexões sobre a arte.
Ele se lançou na arte com toda a intensidade de um convertido em religião. Numa longa carta a Theo — um manifesto da sua vocação — fala de suas lutas:

Reflexões de Van Gogh para Theo, seu irmão

"Sou um homem de paixões, capaz de fazer coisas mais ou menos tolas, e delas dependente, e das quais mais ou menos me arrependo depois... deverei considerar-me um homem perigoso, incapaz de qualquer coisa?
... minha única preocupação é: como posso ser útil no mundo? Não poderei servir a algum propósito e ser de alguma utilidade?
E então sente-se um vazio onde deveria haver amizade e afeições sérias e fortes, e um desânimo terrível que corrói a propria energia moral, e o destino parece colocar uma barreira aos instintos de afeição, e uma sufocante onde de nojo nos envolve. Por quanto tempo, meu Deus?"

Trecho extraído de Teorias da Arte Moderna — H.B.CHIPP

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Maluda - a amada de Portugal

Maluda encontra plena justificação de modernidade estética e de actualidade sociológica. Retratos da terra que habitamos, os seus quadros retratam nos a nossa verdade que ocultamos. Aí, também as suas paisagens passam da representação à relação do mistério, subjacente no desnudar das aparências festivas. A nudez plástica das paisagens de Maluda é imagem desolcultada de algo que as palavras não sabem e onde a sua pintura reencontra a sabedoria imemorial das autênticas realizações artísticas. O ser moderno é sempre a procura dessa antiquíssima eloquência.  Texto de Fernando Pernes para o Catálogo da Exposição Individual na Galeria Dinastia, no Porto, em 1978.

Maria de Lurdes Ribeiro, conhecida por Maluda é uma das mais populares pintoras portuguesas das últimas décadas do século XX português. Maluda nasceu na cidade de Pangim, em Goa, no então Estado Português da Índia. Viveu desde 1948 em Lourenço Marques (acual Maputo), onde começou a pintar e formou, com mais quatro pintores, o grupo que se intitulou "Os Independentes".
Embora experimentando várias técnicas e forma artísticas, incluindo retrato, serigrafia, tapeçaria, desenho de cartazes, painéis murais, ilustrações e selos de correio, o cerne temático da composição pictórica de Maluda está muito voltado para a síntese da paisagem urbana.
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O selo Quiosque do Tivoli (vermelho) venceu o prémio”Melhor Selo em Offset” atribuído pelo Government Postage Stamp Printers’Conference.
Foi com os quiosques de Lisboa que a pintora criou fama, através de uma colecção editada pelos correios, uma colecção de selos que deu à pintora portuguesa um prêmio mundial, é o famoso quiosque Tivoli da Avenida da Liberdade, que ganhou o prêmio de melhor selo, em Washington, em 1987.
Enriqueceu a filatelia pois desenhou / pintou muitos selos que cativam filatelistas e o público em geral.

A geometria de Maluda


A geometria das formas é uma das características fundamentais da pintura de Maluda. O mundo de Maluda não era o preto e branco e isso é bem visível na sua obra onde a cor, os tons claros e os contrastes assumem primordial importância.
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Embora experimentando várias técnicas e forma artísticas, incluindo retrato, serigrafia, tapeçaria, desenho de cartazes, painéis murais, ilustrações e selos de correio, o cerne temático da composição pictórica de Maluda está muito voltado para a síntese da paisagem urbana.
A artista soube celebrar através das cores vibrantes com que retratou paisagens, janelas, portas e quiosques, imagens que se tornaram familiares a todos os Portugueses.
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Segundo Pamplona, a obra de Maluda segue, conceptualmente, Paul Cézanne (1839-1906), o mestre do Impressionismo. Ou, como escreveu Fernando Pernes, a sua arte representa «um sistemático decantamento da experiência cezanneana».
Em 1998 foi agraciada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com a Ordem do Infante D. Henrique, ao mesmo tempo que realizou a sua última exposição individual, "Os selos de Maluda", patrocinada pelos CTT.
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Maluda morreu em Lisboa em 1999, aos 64 anos. Em testamento, a artista instituiu o "Prémio Maluda" que, durante alguns anos, foi atribuído pela Sociedade Nacional de Belas-Artes.

Vim do Oriente, onde nasci a luz; passei por África, onde aprendi amar a vida; cheguei à Europa onde estudei pintura na cidade das luzes; depois fixei-me em Lisboa. Gradualmente refis o percurso labiríntico em direção à luz. Cada passo revela, a sua maneira, esse jogo de sombras e luz que é a vida e a morte, a sabedoria e a ignorância. Eu pinto. É uma aventura que não troco por nenhuma outra. Maluda




Ver os comentários no blog de João Menéres - Porto - Portugal, quando o Espaço das Artes faz referências sobre Maluda num importante diálogo com o dono do sítio fotográfico Grifo Planante na postagem Grafismo em 09/05/09.
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Maluda e o quadro Barcos

O Espaço das Artes agradece a parceria com informações e links sobre Maluda, ao arquiteto português de Leiria, Rogério Franco, radicado em Amiens-França onde atualmente exerce sua profissão. Rogério Franco é dono do blog artístico Strings onde expõe suas belíssimas fotos, desenhos colhidos de sonhos lucidos, como também algumas reflexões. Veja também a mostragem de seus projetos profissionais e as obras executadas no espaço Arkitectum .
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