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Abstracionismo

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A principal característica da pintura abstrata é a ausência de relação imediata entre suas formas e cores. Uma tela abstrata não representa nada da realidade que nos cerca, nem narra figurativamente alguma cena histórica, literária, religiosa ou mitológica.
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(Red tree) A árvore vermelha - 1908 - Piet Mondrian - Pintor Holandês
Ao contemplar a veemência pictórica e o colorismo cromático de A árvore vermelha, com certeza nos lembraremos do grande antecessor holandês de Mondrian, Vincent van Gogh. Mondrian também tinha conhecimento da obra dos fauves, baseados em Paris e liderados por Henri Matisse e André Derain, cujas obras se caracterizavam pela cor forte decorativa e não-naturalista e pelas pinceladas intensas. Esta obra é feita por um artista excitado pela extrema vitalidade da natureza, que vê, como Van Gogh, um tipo de fogo no verde e nas coisas que crescem. Predominam os azuis e vermelhos quentes, esse último mudando para o laranja das pinceladas largas e individuais ao longo da base, passando pelas pinceladas retorcidas, opticamente vibrantes, que lembram chamas escarlates, carmesins, azuis, do tronco da árvore, para um vermelho amarronzado mais opaco nas suas extremidades. O efeito visual dessas transições é o de uma radiação centrífuga para cima e para fora. Essa macieira não cuidada, proliferando e se ramificando em galhos tênues, está voltando ao estado selvagem; ela apresenta uma imagem alarmante de perda de controle, de desequilíbrio, de entropia. Sua cor redutora e violenta e sua fantástica distribuição ramificada sobre o retângulo da tela são aspectos de uma função simbólica. Ela é uma metáfora forte da condição “trágica” da natureza contingente, que uma pura arte “plástica” teria como função transcender.
(Trecho do livro - Arte Abstrata de Mel Gooding Gooding).

Piet Mondrian - auto retrato
“Em toda a história de nossa cultura, a arte tem demonstrado que a beleza universal não surge do caráter particular da forma, mas sim do ritmo dinâmico de suas relações inerentes ou – como na composição – das relações mútuas das formas. A arte mostrou que a beleza é uma questão de determinação das relações. Revelou que as formas só existem para a criação de relações; que as formas criam relações, e vice- versa. Nessa dualidade de formas e suas relações, nenhuma delas tem precedência. O único problema na arte é chegar a um equilíbrio entre subjetivo e objetivo. Mas é da maior importância que esse problema seja resolvido na esfera da arte plástica – tecnicamente, por assim dizer -, e não na esfera do pensamento. A obra de arte deve ser “produzida”, “construída”. Devemos criar uma representação tão objetiva quanto possível das formas e relações. Esse trabalho jamais pode ser vazio, porque a oposição de seus elementos construtivos e sua execução desperta emoção." (Piet Mondrian)

Composição nº VI - Fachada azul - 1914

Sobre o Cubismo

"A intenção do cubismo - pelo menos no começo - foi expressar volume". Desse modo o espaço tridimensional - espaço natural - permaneceu. O cubismo, portanto, continuou sendo basicamente uma expressão naturalista e foi apenas uma distração - Não a verdadeira arte abstrata.
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Pablo Picasso - três músicos - 1921
"Essa atitude dos cubistas para com a representação do volume no espaço era contrária à minha concepção da abstração, que se baseia na convicção de que esse mesmo espaço tem de ser destruído. Em conseqüência, cheguei à destruição do volume pelo uso do plano. Foi o que realizei por meio de linhas que cortam os planos. Mas mesmo assim o plano permaneceu demasiado intacto. Por isso passei a traçar apenas as linhas e coloquei a cor dentro delas. Agora o único problema era destruir também essas linhas pelas oposições mútuas.
Talvez eu não me expresse claramente, mas minhas palavras podem dar alguma idéia das razões pela qual deixei a influência cubista. Para mim o verdadeiro Boogie Woogie busca realizar na música a mesma coisa que tento fazer na pintura: a construção por meio da oposição constante dos meios puros – ritmo dinâmico.

Acho que o elemento destrutivo é excessivamente negligenciado em arte".

Boogie Woogie

O Boogie-Woogie é um estilo de Blues, caracterizado pelo uso sincopado da mão esquerda ao piano. Foi muito popular entre os negros nos anos 30 e anos 40 nos Estados Unidos, sendo geralmente tocado pelos mesmos.

As bandas em geral tinham três pianos, violões e tocavam musica country e gospel em um estilo de guitarra próprio. 
Piet Mondrian - (1943)
Assim como ocorria para Malevich e Kandinsky, a pintura para Mondrian era uma atividade filosófico espiritual

"Broadway Boogie-Woogie" é um quadro considerado por muitos a sua obra prima e o ponto culminante do seu sentido estético. Nesta tela, o artista criou um equilíbrio dinâmico entre inúmeros retângulos e quadrados coloridos.

Embora as obras de Mondrian tenham um carácter essencialmente abstrato, esta pintura inspira-se diretamente em duas referências do mundo real: a grelha urbana de Manhattan e o ritmo do Boogie Woogie - estilo de dança que Mondrian apreciava particularmente.

Broadway Boogie-Woogie integra o acervo do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque

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10 comentários:

  1. Olá!

    A blogagem da Aldeia da Minha Vida foi um grande sucesso, graças à sua participação e divulgação.

    Convido-o(a) a participar na próxima blogagem de Julho “ Férias na Minha Terra”.

    É uma oportunidade única para demonstrar a todos que vale a pena passar férias no nosso país, especialmente na nossa querida terra, seja ela aldeia, vila ou cidade.

    Inscreva-se e mande o seu texto até 7 de Julho para o seguinte e-mail: aminhaldeia@sapo.pt

    Para premiar a sua participação, vamos atribuir ao melhor post um fantástico prémio e ao melhor comentário também.

    Muito obrigado pela sua atenção!

    Votos de um feliz dia!

    Susana Falhas

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  2. "ISMOS"
    Não sei não, mas se é arte, qualquer ismo tem relação com o que nos cerca em alguma proporção ou com o que está dentro de nós em sendo arte, em todas as proporções.
    Não sou "expert" mas admiro sim.
    Aqui tá tudo muito bonito e bem explicado.

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  3. Débora é entendido hoje que os “ismos” é quase coisa do passado, e na arte moderna contemporânea esses slogans estão sumindo, visto que mais parece propaganda de alguma coisa, mas não é.
    Os artistas sentiam necessidade em fazer parte de um grupo em relação à arte e essas expressões qualificavam a linha de pensamentos do grupo ao qual pertenciam.
    Nos regimes políticos também houve os “ismos”, como nazismo, facismo, comunismo, capitalismo, assim com os evolucionismo ou “darwinismo”:
    Parece que os “ismos” tiveram seu tempo, mas nas artes estão ficando cada vez mais para trás.
    Como meu espaço de arte, tem o propósito de começar por esses movimentos que fizeram com que a arte tomasse outras direções, nessa recapitulação, não tenho como fugir da história.
    Então por um bom tempo estarei usando os ismos, até que eu entre nos dias de hoje nesse início de século.

    O Espaço das Artes aborda a os movimentos do início do século XX, quando eles começaram a mudar seus rumos direcionados para a "criação" e "construção", deixando de lado a cópia das coisas existentes.
    Obrigada pelo comentário, o meu propósito é mesmo direcionar as pessoas a um entendimento mais profundo e consequentemente o interesse pelos novos conceitos filosóficos aplicados há mais de 100 anos nas artes.

    Vamos sim falar da arte, como na geometria, na abstração lírica e assim por diante.
    E nem eu sou expert, mas apenas uma estudiosa e com isso sempre estou aprendendo mais com minhas pesquisas e leituras.

    Uma boa noite para você e volte sempre.

    Abraço

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  4. Gosto desta parte filosófica das artes plásticas, sua interação com a música, sua busca de novos caminhos que ocorreu no século XX. É muito importante entender esta evolução (que você explica tão bem) pois hoje em dia a própria palavra "arte" esta sendo questionada quanto a seu significado. Sou fã de Mondrian e tive a oportunidade de ver recentemente numa exposição telas suas de perto, fiquei emocionada.
    Beijos e parabéns pelo post.

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  5. Maria Augusta
    Eu também ficaria muito emocionada se tivesse a oportunidade de ver pessoalmente obras de Piet Mondrian.
    Quanto ao questionamento da palavra “arte”, isso sempre vai acontecer, porém ao meu entender a arte é o fruto da criação do homem e do seu intelecto.
    Para entendê-la é necessário também estar dentro dos conceitos de sua linguagem.
    Acho que todas as artes no final se juntam quando ela é resultado da criação. Assim como a música, que é considerada a forma mais abstrata de arte.
    Obrigada querida, volte sempre.

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  6. Elma minha querida, tudo bem por aí?
    Aqui tudo em paz///
    Adorei sua postagem. As artes nos encantam e Mondrian é maravilhoso. Parece que ele acompanha o nosso tempo, sempre moderno, definido, alegre.

    Um super beijo e obrigada por seu inteligente ( como sempre ) comentário sobre calcinhas xs Sarney no meu blog... Que absurdo ele entrar com ação contra as meninas, não? E nós, temos direito de pedir nossos votos de volta? Será que tá no código do consumidor? kkkkkkkkkkkkkk Meu Deus, olhai por nós!

    Bjks CON

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  7. Olá Elma!
    Adorei o espaço, as informações...tenho uma certa sede sobre o que vc escreveu e me deleitei na leitura...
    Beijos!!

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  8. CON
    É um prazer tê-la no Espaço das Artes.
    Mondrian será sempre moderno e jamais cairá no anonimato porque sua filosofia na arte contém fundamentos e estruturas importantes para a posteridade. Ele será eterno.
    É o Sarney deve urgentemente cair fora. Basta!
    Beijos querida.

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  9. Marcos Santos
    Fico feliz que você tenha se deleitado com a leitura.
    Volte sempre querido.
    Beijos

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  10. Pois é Elma, você é magnífica. Não tive coragem de escrever! Fico muito grata por ter me visitado.
    O poema "O colo" - até este momento não está terminado ( 25/07 - 23h25 ). Vou digitá-lo em breve... Consegui concluí-lo ontem: espero que goste!
    Volto a repetir: o seu blog é Cultura e você é magnífica...E é por isso que está aqui, entre as flores, os frutos, as cores e os sabores do ENGENHOLITERARTE!
    ABRAÇOS!!!
    E muito sucesso, pois é o que merece...

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