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Construtivismo o os Microelementos

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Trecho do livro Construtivismo - Origens e evolução de George Rickey. Imagens do livro e web

A “modernidade", escreveu Charles Baudelaire em seu artigo, qualificado significativamente por Harvey de seminal, "Sobre a Modernidade" (publicado em 1863), "é o transitório, o efêmero, o contingente; é uma metade da arte, sendo a outra o eterno e o imutável" (Charles Baudelaire,1996, p. 25).
As artes assim concebidas, em relação à modernidade, deixam de ser representação e passam a ser criação, no sentido estrito do termo. Características significativas das novas linguagens são, por exemplo, na pintura a incongruência, a assimetria, o não figurativo; na arquitetura, o primado da realidade funcional; na música, o uso de harmonias dissonantes, a escritura atual e na literatura, a quebra da sintaxe, a busca de uma narrativa consciente da temporalidade, da transitoriedade da vida e voltada para o registro da intensidade da experiência interior.
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Côncavo e convexo - Almir da Silva Magniver - artista brasileiro radicado na Alemanha
O poeta mais puro dos microelementos é Almir Magniver. É o mestre dos pontos, dedicando-se a multiplicar pontos redondos de tamanho variável sobre superfícies imaculadas - nada mais, exceto uma aventura ocasional com linhas retas de régua. Isso parecia restrito e monótono, mas Magniver consegue abrir mundos onde o ponto é o habitante normal, mas diversificado .

A busca para novos suportes

Desde Platão aceitamos, amplamente, a idéia de que a obra de arte deveria ser uma. Mesmo quando subdividida, a harmonia das partes deveria conduzir à unidade do todo. No século xx, alusões a uma arte não-unificada começaram a surgir bem cedo, por exemplo, em Interpretação irisdecente, de Balla, e em pinturas raionistas na Rússia. Algumas pinturas de Doesburg e Sophie Taeuber-Arp eram celulares, mas do que arquitetônicas, enquanto as idéias anticomposicionais de Strzeminsky constituíam, talvez, a ruptura mais radical.
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Julio Le Parc - Argentina - 1928
Foi apenas depois da Segunda Guerra Mundial, no entanto, que inúmeros artistas chegaram a uma filosofia consciente de uma arte baseada na repetição.Essa nova filosofia de arte começou a aparecernos anos 50 simultaneamente em diversas partes da Europa, em estruturas celulares deliberadamente iniformes, ora feitas a partir da geometria. O uso dessas subdivisões ou "microelementos" envolve o seguinte:
  1. Subdivisão em unidades grandes o bastante para serem identificadas separadamente.
  2. Unidades pequenas e numerosas o bastante para pareceram "incontáveis" (Quando tornam-se excessivamente pequenas, tornam-se texturas, perdendo-se o equilíbrio entre um e o todo.)
  3. Uniformidade suficiente para constituir uma superfície ou uma massa homogênia.
  4. Entrosamento ou intercâmbio positivo-negativo de figura fundo ou volume vazio.
  5. Na escultura, o uso do espaço como material plástico.

Luis Tomasello - Argentina
Tomasello emprega cubos idênticos em Reflexãonº 83, mas altera o ângulo de reflexão de forma regular, produzindo subquadrados (a face inferior de cada cubo encontra-se fortemente colorida, de maneira que cada projeção branca é envolvida por halo de cor refletida).

Tal repetitividade, e o conflito implícito entre individualismo e uniformidade que a acompanha, é antiga na arte, assim como o é na sociedade, mas adquire uma relevância particular hoje. A repetição deixou de ser um constrangimento para o artista.
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Bruno Munari - arquiteto, escultor, design - Itália - 1907-1998
A exemplo do cientista, o artista pode avançar de um trabalho para outro a passos curtos, explorando exaustivamente o comportamento de seu motivo, sob condições ligeiramente alteradas. na obra, o empilhamento de elementos idênticos pode produzir um efeito cumulativo que, como acontece em um coral , é mais do que a soma de suas partes.
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Günther Uecker - Alemanha - (pregos) 1930
Essas alusões a um simbolismo social são inevitáveis, muito embora nenhum desses artistas esteja conscientemente preocupado com ele, e nenhuma dessas imagens represente o diagrama da sociedade. Mas, assim como analogias com a natureza são aparentes na arte não-figurativa, o uso de microelementos confere uma significação especial à criação e ao controle do “inumerável” em outros lugares.
Os pregos de Uecker são conduzidos uniformemente em Floresta de Luz (detalhe) contudo não com regularidade absoluta - possuem a homogeneidade de uma florescência densa na natureza. Como acontece na floresta, as cabeças dos pregos produzem uma nova superfície que flutua sobre a superfície sólida.
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GRUPOO N - Estrutura óptico-dinâmica - 1962
Anéis circulares e lentes, nas quais imagens que variam segundo a posição do observador são alojadas, quebram a regularidade.
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Aluizio Carvão - Brasil - 1920-2001
Julio Le Parc - -Argentina - 1928


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Abstracionismo

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A principal característica da pintura abstrata é a ausência de relação imediata entre suas formas e cores. Uma tela abstrata não representa nada da realidade que nos cerca, nem narra figurativamente alguma cena histórica, literária, religiosa ou mitológica.
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(Red tree) A árvore vermelha - 1908 - Piet Mondrian - Pintor Holandês
Ao contemplar a veemência pictórica e o colorismo cromático de A árvore vermelha, com certeza nos lembraremos do grande antecessor holandês de Mondrian, Vincent van Gogh. Mondrian também tinha conhecimento da obra dos fauves, baseados em Paris e liderados por Henri Matisse e André Derain, cujas obras se caracterizavam pela cor forte decorativa e não-naturalista e pelas pinceladas intensas. Esta obra é feita por um artista excitado pela extrema vitalidade da natureza, que vê, como Van Gogh, um tipo de fogo no verde e nas coisas que crescem. Predominam os azuis e vermelhos quentes, esse último mudando para o laranja das pinceladas largas e individuais ao longo da base, passando pelas pinceladas retorcidas, opticamente vibrantes, que lembram chamas escarlates, carmesins, azuis, do tronco da árvore, para um vermelho amarronzado mais opaco nas suas extremidades. O efeito visual dessas transições é o de uma radiação centrífuga para cima e para fora. Essa macieira não cuidada, proliferando e se ramificando em galhos tênues, está voltando ao estado selvagem; ela apresenta uma imagem alarmante de perda de controle, de desequilíbrio, de entropia. Sua cor redutora e violenta e sua fantástica distribuição ramificada sobre o retângulo da tela são aspectos de uma função simbólica. Ela é uma metáfora forte da condição “trágica” da natureza contingente, que uma pura arte “plástica” teria como função transcender.
(Trecho do livro - Arte Abstrata de Mel Gooding Gooding).

Piet Mondrian - auto retrato
“Em toda a história de nossa cultura, a arte tem demonstrado que a beleza universal não surge do caráter particular da forma, mas sim do ritmo dinâmico de suas relações inerentes ou – como na composição – das relações mútuas das formas. A arte mostrou que a beleza é uma questão de determinação das relações. Revelou que as formas só existem para a criação de relações; que as formas criam relações, e vice- versa. Nessa dualidade de formas e suas relações, nenhuma delas tem precedência. O único problema na arte é chegar a um equilíbrio entre subjetivo e objetivo. Mas é da maior importância que esse problema seja resolvido na esfera da arte plástica – tecnicamente, por assim dizer -, e não na esfera do pensamento. A obra de arte deve ser “produzida”, “construída”. Devemos criar uma representação tão objetiva quanto possível das formas e relações. Esse trabalho jamais pode ser vazio, porque a oposição de seus elementos construtivos e sua execução desperta emoção." (Piet Mondrian)

Composição nº VI - Fachada azul - 1914

Sobre o Cubismo

"A intenção do cubismo - pelo menos no começo - foi expressar volume". Desse modo o espaço tridimensional - espaço natural - permaneceu. O cubismo, portanto, continuou sendo basicamente uma expressão naturalista e foi apenas uma distração - Não a verdadeira arte abstrata.
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Pablo Picasso - três músicos - 1921
"Essa atitude dos cubistas para com a representação do volume no espaço era contrária à minha concepção da abstração, que se baseia na convicção de que esse mesmo espaço tem de ser destruído. Em conseqüência, cheguei à destruição do volume pelo uso do plano. Foi o que realizei por meio de linhas que cortam os planos. Mas mesmo assim o plano permaneceu demasiado intacto. Por isso passei a traçar apenas as linhas e coloquei a cor dentro delas. Agora o único problema era destruir também essas linhas pelas oposições mútuas.
Talvez eu não me expresse claramente, mas minhas palavras podem dar alguma idéia das razões pela qual deixei a influência cubista. Para mim o verdadeiro Boogie Woogie busca realizar na música a mesma coisa que tento fazer na pintura: a construção por meio da oposição constante dos meios puros – ritmo dinâmico.

Acho que o elemento destrutivo é excessivamente negligenciado em arte".

Boogie Woogie

O Boogie-Woogie é um estilo de Blues, caracterizado pelo uso sincopado da mão esquerda ao piano. Foi muito popular entre os negros nos anos 30 e anos 40 nos Estados Unidos, sendo geralmente tocado pelos mesmos.

As bandas em geral tinham três pianos, violões e tocavam musica country e gospel em um estilo de guitarra próprio. 
Piet Mondrian - (1943)
Assim como ocorria para Malevich e Kandinsky, a pintura para Mondrian era uma atividade filosófico espiritual

"Broadway Boogie-Woogie" é um quadro considerado por muitos a sua obra prima e o ponto culminante do seu sentido estético. Nesta tela, o artista criou um equilíbrio dinâmico entre inúmeros retângulos e quadrados coloridos.

Embora as obras de Mondrian tenham um carácter essencialmente abstrato, esta pintura inspira-se diretamente em duas referências do mundo real: a grelha urbana de Manhattan e o ritmo do Boogie Woogie - estilo de dança que Mondrian apreciava particularmente.

Broadway Boogie-Woogie integra o acervo do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque

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Michael Jackson


O Espaço das Artes reverencía o artista

Cantor, compositor, ator, publicitário, escritor, produtor, diretor, dançarino, e

(Gary, 29 de agosto de 1958 – Los Angeles, 25 de Junho de 2009)




Neoplasticismo

Construtivismo e de Stijl


Fonte: Construtivismo (origens e evolução) George Rickey - Cosac&Naify

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"O objeto da natureza é o homem, o objeto do homem é o estilo."

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Dois anos depois das primeiras aventuras russas, e de modo independente, Piet Mondrian, um ex-cubista na Holanda, havia transposto a natureza para seus quadros através de traços verticais e horizontais como sinais matemáticos "+" e "" - mais e menos.
Em 1914, pintava composições rigorosamente abstratas da paisagem. Embora parecessem não-figurativas, Mondrian atribuía-lhes títulos como O mar, Fachada, e Andaime. (The Sea, Façade e Scaaffolding)
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Piet Mondrian - Holanda -Pier and Ocean - 1914 - obra por sinais mais & menos
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Além disso, apresentava símbolos obscuros provenientes das profundas crenças teosóficas do artista. Mondrian concebeu uma arte de relações conhecida mais tarde como “neoplasticismo”.
Levou a abstração até o máximo dos seus limites.
Mondrian conheceu Theo Doesburg em 1917, um artista plástico, designer gráfico, poeta e arquiteto holandês e juntos fundaram o grupo que chamaram De Stijl,o estilo”, começando a publicar uma revista com o mesmo nome, em Leyden.
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 Página da revista De Stijl

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Projeto gráfico de Theo van Doesburg (a revista era enviada pelo correio e, por isso, dobrada ao meio). .

Página original da revista De Stijl, Letterklankbeelden,

Alfabeto de Theo van Doesburg 

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Theo van Doesburg
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Os pôsters exemplificam bem porque o De Stijl é considerado um movimento de vanguarda. Aspectos marcantes são sua tipografia inovadora, a preocupação com a composição, o tamanho da fonte e a simplicidade da imagem. Todos esses elementos atestam a preocupação com a linguagem visual.
Mondrian usava a revista para expor suas idéias a respeito de uma arte relacional. Em 1921 havia aperfeiçoado o estilo que o tornou conhecido - a grade preta sobre o fundo branco, os retângulos pintados com cores primárias e as proporções lineares com intervalos regulares, ajustadas em conformidade com um trabalho preliminar feito com tiras de papel.
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Piet Mondrian 

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Piet Mondrian - Composição com amarelo, azul e vermelho - 1921
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O suprematismo e o construtivismo difundiram-se na Rússia, e seus líderes ocupavam, temporariamente, posições de responsabilidade oficial.
As idéias exemplos de suas realizações haviam chegado à Alemanha, onde logo seriam escolhidas pela Bauhaus.
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Divergências entre Piet Mondrian e Theo van Doesburg 

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O trabalho de Mondrian, contudo, estava predestinado à fama e à influência, dada a longa estadia do artista em Paris, centro do mundo artístico na época.
Apesar do sucesso de Doesburg como mentor, Mondrian cortou suas ligações com o De Stijl, em 1924. Em sua pureza incondicional, ficou furioso com a introdução da diagonal na pintura, por parte de Doesburg . Mondrian não aceitava a Teoria do Elementarismo proposta por Doesburg onde as linhas diagonais eram mais importantes que as verticais e horizontais.
Mondrian declarou: "Após sua correção arbitrária do neoplasticismo, tornou-se impossível para mim qualquer colaboração, de qualquer espécie".
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Theo van Doesburg

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Theo van Doesburg - Contraposição de dissonâncias XVl
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A respeito dos anos 20, Mondrian escreveu: “construtivismo foi levado adiante em Paris e em Londres, onde se tornou homogêneo com o neoplasticismo: contudo, sempre houve diferenças de ponto de vista”, que incluíam a insistência na vertical-horizontale nas cores puras como meio de expressão, idéias de harmonia social através da arte e, sempre um certo misticismo. A partir de então, “ construtivismo” passou a ser aplicado a ambos os movimentos, o “neoplasticismo”, apenas ao holandês. Oskar Schlemmer escreveu em seu diário, em 1925. “O panorama atual mostra que as três tendências – cubismo-futurismo-expressionismo - consideram-se em duas: construtivismo-verismo”, termo usado pelo artista para representação do mundo visível.
“Construtivista” passara assim a cobrir tanto a pintura com a escultura, tendo se expandido de modo a absorver muitas das idéias do suprematismo e do De Stijl.
No mais se restringia, ou dedicava especial atenção ao “construído”, ou ao feito da união de materiais industriais, nem tampouco à geometria pura ou à predominância do espaço vazio.
O caráter essencial da arte construtivista não se encontrava no estilo, no material ou na técnica, mas sim na imagem. Essa imagem requeria do artista uma alteração radical de idéias que se mantinham há milhares de anos. Agora, a imagem em si mesma era real.
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Naum Gabo 

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Naum Gabo resumiu a questão da seguinte forma: "Não fazemos imagens de ..."
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Naum Gabo - escultor russo - 1890/1977
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Desenvolvimento pessoal dos artistas e de simplificações por parte dos críticos e historiadores, conserva algumas características.
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A obra-de-arte é a imagem de si mesma

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A princípio transcrevo 2 itens dentre os 10:

  1. O tema da obra–de-arte é a imagem de si mesma
    ... é impossível para a nova consciência perceber, arranjar ou atuar sobre o mundo e sobre nossas vidas , a não ser com a construção de uma corrente sempre cambiante, embora coerente , de imagens-concepções...
    — Assevero que essas imagens construídas conscientemente, são a essência mesma da realidade do mundo à qual buscamos.
    E mais:
  2. Os elementos das artes visuais tais como as linhas, as cores, as formas possuem sua própria força de expressão, independente da associação aos aspectos exteriores do mundo.A imagem não depende de experiências rememoradas, de acontecimentos, de objetos observados, de associações ou sujestões, nem tampouco da projeção da experiência em formas evocativas. Não resulta de "emoções relembradas tranquilamente", nem de fantasias, nem de gestos automáticos, nem de qualquer transe ou emanação do subconsciênte (como por exemplo do surrealismo na pintura).
Não precisa, no entanto, ser regular ou geométrica.
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Cadeira de Gerri Thomas Rietveld - cadeira red/blue

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cadeira red / blue
Em 1917-1918 desenhou o protótipo da cadeira red and blue, um de seus trabalhos mais famosos, que em 1923 foi incluído na exposição da Bauhaus


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Construtivismo - parte II

Obras consultadas:
  • Construtivismo - George Rickey
  • Teorias da Arte Moderna - H.B.Chipp
  • Arte Abstrata - Mel Gooding
  • Imagens: contídas nos livros e pesquisas Google
Continuação do Construtivismo - parte l
Mesquita do mausoléu de Shikh Safi - Ardebil (اردبیل,) - Irão
Não se tratava porém nem de arte folclórica nem de decoração tradicionalista dos pintores de tabuletas. Possuíam um vocabulário de imagens, tais como círculo, quadrado, losango, tabuleiro de damas, chave, listas, tramas ornamentais, divisas – o repertório básico da heráldica – que tem sobrevivido extraordinariamente em várias culturas, sendo, na cultura ocidental, considerado domínio dos artesãos. Esse vocabulário foi transmitido independentemente do fluxo e refluxo das escolas de “belas artes”.
Frank Lloyd Wright - 1912
Por exemplo, os vitrais do arquiteto americano percursor da arquitetura moderna nos EUA, Frank Lloyd Wright para o playground de Coonley em Riverside, estado de Llinois, foram realizados em 1912, portanto cinco anos antes de Mondrian chegar à mesma formulação com telas e tintas. Foi apenas em nossa época que a neutralidade em si, o auto-anulamento característico das práticas artesanais, tornou-se um princípio estético próprio a um grupo significativo de artistas.
O uso consciente das formas geométricas foi introduzido na arte do século XX com a famosa frase de Cézannetrate a natureza por meio do cilindro, da esfera e do cone”, que se tratava de uma fórmula pessoal do artista para representar os objetos da natureza.
Tal afirmação estabeleceu um fundamento lógico para o cubismo, um molde geométrico ao qual as formas da natureza eram submetidas, conservando-se geralmente suas proporções. O construtivismo tem uma grande dívida para com os cubistas, que romperam com o realismo do século XIX.
Pablo Picasso - Garota do Bandolin - 1910
A evolução do cubismo foi rápida. Cinco anos em Paris, 1908 a 1913, bastaram para seu desenvolvimento, incluindo-se aí um desdobramento ideológico no futurismo (a tentativa abortada de acrescentar dimensão temporal à geometria cubista), uma expansão técnica devido à colagem (“pode-se pintar qualquer coisa que cole”), e uma desmaterialização no raciocínio de Mikhail Lanrionov em 1913, (“formas espaciais obtidas pelo cruzamento de raios refletidos de diferentes objetos... percebidos fora do tempo e do espaço... uma sensação do que se pode chamar de “quarta dimensão”) Expulso da Escola Estatal de Arte de Moscou devido ao seu acentuado espírito antiacadêmico.
Larionov - artista russo - Composição raionista nº 8 - 1911
O cubismo foi forte o suficiente para influenciar profundamente o desenvolvimento da arte durante cinquenta anos, atraindo homens importantes e também, experientes: Braque, Picasso, Villon, Laurens, Archipenko, por exemplo, estavam ainda vivos e vigorosamente produtivos em 1962. E continuavam a observar ainda a natureza, após meio século, com lentes cubistas, embora seus estilos não fossem mais o cubismo “puro”.
Contudo, as tradicionais naturezas-mortas haviam sido uma mera desculpa para o estudo da forma, e sobreviventes cubistas como Ben Nicholson, Rufini Tamayo, Wifredo Lam, ou Marinho Marini permaneceram obcecados pelo tema. Outros acharam que o cubismo tornara-se demasiado sensual, demasiado lírico e permissivo. Acreditavam que o objeto, uma vez destronado enquanto tema, deveria ser eliminado. Três declarações feitas em 1912 por alguns dos primeiros artistas convertidos ao cubismo resumem tal pensamento:

  1. ALBERT GLEIZES [1881-1953] “Que o quadro não imite nada, e que exponha abertamente sua raison d’être.”
  2. MORGAN RUSSEL [1886-1953] “O fato de que não há um tema (figura) é proposital, para que outros reinos do espírito sejam glorificados”.
  3. UMBERTO BOCCIONE [1882-1916] “A linha reta é o único meio possível dne alcançar a virgindade primitiva de uma construção arquitetônica nova, feita de massas escultóricas e áreas”.

As pinturas realizadas neste período ilustravam a teoria. O primeiro passo, de Frank Kupka e os Discos simultâneos de Robert Delaunay de 1912 – “[As cores significam] apenas o que de fato é visto – cores em contrastes, dispostas em círculos, em oposição umas às outras".

Frank Kupka - artista checo - O primeiro passo - [The First Step - 1909

 
Robert Delaunay - artista francês - Discos Simultâneos - 1912
 
Giacomo Balla - artista italiano - Interpretação iridescente - 1912

O mundo não figurativo

"Eu me transformei no zero da forma e me puxei para fora do lodaçal sem valor da arte acadêmica . Eu destruí o círculo do horizonte e fugi do círculo de objetos, do anel do horizonte que aprisionou o artista e as formas da natureza. O quadrado não é uma forma subconsciente. É a criação da razão intuitiva. O rosto da nova arte. O quadrado é o infante real, vivo. É o primeiro passo da criação pura da arte.” Kazimir Malevich.
 
Kazimir Malevich- Rússia - Suprematismo 1914/15-
Quadrado Preto sobre fundo Branco

O Suprematismo defendia a supremacia da forma pura, em oposição ao mundo objetivo.

Arcangelo Ianelli

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O artista Arcangelo Ianelli morreu ontem, 26 de maio no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ele tinha 86 anos e estava internado há 4 meses por causa de problemas cardiovasculares. Nascido em São Paulo, Ianelli foi pintor, escultor, ilustrador e desenhista. Integrou na década de 1950 o Grupo Guanabara, ao lado de Manabu Mabe, Jorge Mori, Takashi Fukushima e Wega Nery. Arcangelo Ianelli produziu na década de 60 diversas pinturas abstratas informais pelas quais ficou conhecido. Nascido em São Paulo, Arcangelo Ianelli estudou na Associação Paulista de Belas Artes.
Na década de 60, Ianelli investiu na arte abstrata, culminando no geometrismo, como também passou a atuar como escultor.
Em 60 anos de carreira o pintor possui obras com acervo em importantes museus internacionais.

Arcangelo Ianelli "enxadrista da cor"



"Não há morte para
os que delegam
ao objeto da criação
o poder da vida."
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"Registramos beleza na
cor de Ianelli, mas não
para que a reconhecamos
por já ser reconhecida, mas
para irmos descobrindo-a
por ser desconhecida."

Juan Acha


Arcangelo Ianelli tinha um comprometimento sério com a arte, disciplinado, contemporâneo nas suas formas e cores incrivelmente belas, para o deleite da alma e dos olhos.
Um artista que não fazia da arte uma diversão qualquer e nem a usava para promover espetáculos, no intuito de chocar para ser notado, e nem para causar polêmicas de introspecções individuais.
Deixou uma grande obra para a posteridade, sua pintura é uma nova escola a ser seguida por quem vê na arte a importância do ato de criar.

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Arte de Instalações

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O presépio - Gênese e simbologia

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Seria no século 13 uma arte de instalação?

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Presépio Rupestre
Portugal - O presépio, pensado pela Autarquia Maçaense com o apoio do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, apresenta-se em forma de dólmen, em tamanho real, com figuras sagradas representadas a partir de figuras rupestres do Vale do Tejo.
Quando, numa definição filosófica de seus trabalhos, Marcel Duchamp um dos precursores da arte conceitual afirmava que, entre outras coisas, seu objetivo era libertar “a Arte do domínio da mão”, certamente não imaginava a que ponto chegaríamos em 1970. O que à primeira vista podia ser facilmente localizado e efetivamente combatido tende hoje a localizar-se numa área de difícil acesso e apreensão: o cérebro.
“A arte no século XX apresenta para um observador distanciado uma sucessão algo caótica. Todos os conceitos que serviram de base à apreciação e criação das gerações anteriores foram sistematicamente postos em causa, e pouco depois acabaram por ser recusados ou ultrapassados pelos artistas. Na arte como na imaginação não existem limites, parece ser a primeira ideia que os artistas têm procurado transmitir. O nosso percurso centra-se nos movimentos artísticos que evidenciaram a ruptura com os conceitos tradicionais da arte, colocando pela primeira vez a questão do fim da estética”.
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Rumos visuais da arte

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Ossos - Marina Abramovic Balkan Baroque

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O que é arte de instalações?

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A Wikpédia assim a define:
"Arte de instalações (krafts) é uma manifestação artística onde a obra é composta de elementos organizados em um ambiente fechado. A disposição de elementos no espaço tem a intenção de criar uma relação com o espectador. Uma das possibilidades da instalação é provocar sensações: frio, calor, odores, sons ou coisas que simplesmente chamem a atenção do público ao redor".
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Dan Flavin - Green
 A instalação é, pois, ela mesma, uma espécie de casa ou de alojamento para a arte ou para uma experiência poética do mundo; isto é, a obra é uma forma de habitação do mundo. E o artista, uma espécie de arquiteto, no sentido em que cuida de prover este alojamento ou habitação.
Arte de valor deve incomodar, não tranquilizar diz Gormley
Para o artista britânico Antony Gormley de 57 anos, 'a arte que faz você se sentir cômodo provavelmente é artesanato, não arte'.
hanging garden’ por Mona Hatoum

Arte efêmera


Há na mente e no conhecimento das pessoas o conceito de arte permanente, aquela que expressa e registra o interior humano e seu universo histórico, presente e intacta no passar dos anos, neste conceito incluímos as obras de Da Vinci, Picasso, Rugendas, Tarsila do Amaral, Portinari, entre outros. Diferente da arte permanente, a arte efêmera, seja através de performances, instalações, e happenings, é aquela vista como não perene fisicamente ou em demais considerações.

A arte pública, transformada pela ação do tempo, assim como o grafite, os religiosos tapetes de sal e serragem, esculturas de gelo e de areia, são alguns exemplos de arte efêmera.
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Land Art

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É Christo Javacheff (e sua mulher Jeanne-Claude), um dos mais surpreendentes artistas contemporâneos e a oportunidade vem da sua recente instalação em Central Park - New York City
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Joana Vasconcelos - Vitrine, Lisboa, 2008 - anima prédio em obras
Efêmero é aquilo que é passageiro, sem presença definitiva, uma substância ou presença artística que se esvai. O sentido de arte pública efêmera não se aplica aos monumentos históricos. A performances de dança e coreografias inusitadas realizadas em praça públicas são passageiras, existem somente no seu ato em si, mas podendo ser filmadas e arquivadas para novas execuções audiovisuais, a mesma sai do contexto de efêmero. Nas artes plásticas há a técnica de pintar quadros com alimentos e substâncias perecíveis, tornando a obra perene somente na fotografia que a registrou. A arte permanente marca o estilo cultural e o momento histórico de cada povo e região, assim aconteceu, por exemplo, nas civilizações egípcias e gregas, e recentemente na sociedade moderna francesa e americana, porém , seria a arte efêmera do século XXI, uma forma de expressar o efêmero fulgaz de nossos tempos?
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"Desvio para o vermelho" (detalhes) - 1967/98 - Cildo Meireles
Instalação de luzes assinada pelo artista japonês Ryoji Ikeda.a
Esculturas do artista alemão Timm Ulrichs nas ruas de Hannover - Germany
A Sala dos Procurados, 2008, Alan Campos - Brasil
Instalação com livros - Museu de Israel
Instalação Interativa
O público interage por trás de “Sunset Now”, uma instalação interativa feita de acrílico colorido, fiberfill (fibra utilizada em enchimentos e tecidos) e luzes que permitem que o usuário controle o nascer e o pôr de um sol utilizando apenas um regulador de iluminação.
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Héctor Roca fez da sua Waterdrop Installation, um tributo a água e seu movimento único. Além de ser de uma beleza única quando estático, seu movimento supera o que se tem em mente.




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