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ARTE ABSTRATA II

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ABSTRAÇÃO: UMA INTRODUÇÃO
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Novas maneiras de declarar o que é o caso

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Obra consultada: ARTE ABSTRATA - Mel Gooding Cosac&Naif
(Introdução)

Toda arte é abstrata, no sentido de que toda arte se envolve no mundo e nos aspectos abstrato dele para nos apresentar um objeto ou acontecimento que aviva ou ilumina nossa apreensão no mundo. "O mundo é tudo que é o caso", escreveu Ludwig Wittgenstein, no início de um projeto filosófico que começou com um esforço para descrever logicamente o mundo e terminou com reflexões a respeito da natureza problemática da própria linguagem que devemos usar quando formos descrever o que quer que seja. O progresso de uma arte da representação para a da abstração de certa maneira ocorreu paralelamente a essa busca moderna quintessencial por um novo tipo de verdade."Tudo que é o caso" inclui a natureza e a sociedade, o ambiente construído, as estruturas da religião, da arte e da ciência, e todos os maravilhoso e mundanos atos, pensamentos e emoções, especulações e imaginações que compreendem uma cultura humana complexa. A partir dos primeiros anos do século XX, pintores e escultores nas tradições européias de arte, mais do que em qualquer época desde a Renascença, buscaram de modo consciente formas radicalmente novas de representar sua experiência do mundo.

ARTE ABSTRATA 11
Piet Mondrian -gray tree - 1912

Eles se lançaram à criação de uma arte que revelaria aspectos da realidade que pareciam inaceitáveis às técnicas e convenções da arte figurativa.
A grande e duradoura idéia de que a pintura e a escultura poderiam retratar a realidade do mundo por meio de imitação iluminadora (mimese), ou da representação ilusionista de fenômenos naturais, foi de repente posta em dúvida. Muitos artistas viam a representação figurativa como uma limitação a sua capacidade de representar as realidades da experiência, incluída a experiência espiritual, como o tipo de intensidade ou clareza que revelariam sua verdadeira natureza.
Além disso, os artistas sentiram necessidade de levar em consideração realidades novas então reveladas pela ciência, dinâmicas recentemente descobertas pela matemática e pela física, novas idéias em psicologia, desenvolvimentos pós-darwinianos na biologia, na religião e no que se costumava chamar de "filosofia natural". Eles estavam sensíveis também à nova política da social-democracia, do comunismo e da liberdade individual.
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mudanças na arte

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Estavam conscientes das grandes mudanças na tecnologia industrial, no início dos vôos tripulados, do motor a combustão interna, da fotografia e do cinema.
As cidades nas quais viviam estavam numa condição de transformação dinâmica. Tudo isso trouxe como consequencias a rejeição das velhas formas de arte que buscavam imitar a aparência das coisas e a invenção de novas formas que revelariam as relações ocultas entre as coisas. Objetos são objetos; eles podem ser retratados, mas representar as relações dinâmicas entre os objetos exigia uma linguagem visual abstrata.
Isso não significa que os artistas no início do século compreendessem plenamente, ao modo dos teóricos, cientistas e outros especialistas, os variados desenvolvimentos intelectuais, espirituais e tecnológicos que estavam ocorrendo. Nem precisavam. Os artistas tem seu próprio trabalho a fazer, pesquisas intuitivas específicas a realizar. O que havia era que algo de muito excitante estava no ar e que a palavra novo se aplicava a quase tudo que estava acontecendo. Ao lado da palavra "moderno", ela se tornaria umas das palavras-chaves afirmativas do século, um talismã verbal, tanto para os artistas como para os críticos.

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Ao artista: "Faça o novo!"

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A originalidade criativa, para os artistas modernos, estava sujeita aos imperativos da autenticidade: resposta às exigências da vida interior, engajamento verdadeiro na realidade externa e liberdade de emancipação. Essa ênfase sobre a experiência individual tornava inevitável que as obras assumissem muitas formas diferentes e que o que pensavam sobre o significado e os propósitos da arte fosse correspondentemente diverso. Efetivamente não houve nenhum "movimento abstrato" enquanto tal, mas muitas das manifestações de uma tendência poderosa da arte moderna para longe da representação de objetos reconhecíveis no espaço pictórico (não importa em que estilo ou maneira) e em direção à apresentação da pintura ou da escultura como um objeto real no espaço real.Alguns artistas acreditavam que tal objeto poderia mesmo emanar uma espécie de energia, sensual ou espiritual e ativar o espaço ao seu redor. A disposição de linhas, os formatos e as cores da trela, ou as formas esculturais puras no espaço, tendo sido abstraídas da natureza, operavam agora diretamente a=sobre o espectador, como faziam os fenômenos naturais da luz, da cor, da textura e do movimento. Alguns sentiam que a obra de arte abstrata poderia induzir a um sentimento do numinoso ou transcendente a ocupar um lugar na vida espiritual entre objetos sagrados ou os ícones do passado.
Todas as pinturas e esculturas são, é claro, “objetos reais no espaço real”.

ARTE ABSTRATA 11
Arte abstrata na Nebulosa de Orion - NASA

Tendo isso em vista, as obras abstratas devem representar algo à mente, assim com as obras figurativas apresentam uma imagem ao olho. Tais distinções não tem a intenção de ser um jogo de palavras paradoxal, mas, sim, a de enfatizar as importantes diferenças de propósito e efeito entre os dois tipos de arte. Elas demonstram as dificuldades de terminologia que todos nós encontramos quando falamos ou escrevemos sobre arte abstrata. Essas dificuldades são aumentadas por uma linguagem às vezes mistificadora e contraditória que caracteriza os enunciados e escritos de muitos dos maiores artistas abstratos. O que os artistas escrevem é com frequência muito interessante em relação às fontes e às intenções de suas obras, mas nunca é definido ou conclusivo quanto a seus efeitos. Ao espectador cabe criar significados; não cabe ao artista ditá-los.
Muitos artistas responderam à liberdade de expressão sem precedentes, necessária para a abstração, expandindo as possibilidades expressivas da arte figurativa. Cores arbitrárias; pinceladas veementes e texturas exageradas; colagens e outras rupturas da superfície; distorções da figura e de outras formas naturais: esses foram alguns dentre os diversos artifícios adotados. Em muitos casos, técnicas anteriormente vistas como preliminares, manejo grosseiro de materiais em direção à completude e ao “acabamento”, passaram a ser considerados como válidos por si, como aspectos expressivos autênticos da obra acabada. Um dos (muitos) problemas que surge na discussão da abstração e de suas histórias na arte moderna é que o próprio termo “abstrato” tem sido amplamente usado para descrever distorções e exageros figurativos em pintura e esculturas ou artifícios formais que se afastam das convenções da representação naturalista.

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A arte figurativa descrita como “abstrata”

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Obras como de Pablo Picasso, Henri Matisse, Constantin Brancusi e Henry Moore, dentre outros grandes artistas figurativos, tem sido com frequência descritas como “abstratas”.
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O uso comum do termo pretendia indicar o afastamento da representação de objetos ou do espaço real como percebidos na natureza, da “aparência que as coisas têm”, em direção a uma representação mais generalizada, simplificada ou distorcidas delas. À luz de minha observação inicial, isso não deveria nos surpreender. Toda arte figurativa, incluída a pintura e a escultura acadêmicas realista, é “abstrata” nos termos da primeira observação: ela opera por seleção, ênfase, exagero.
Em todo caso, sabemos perfeitamente bem que o mundo, na verdade, não se parece com suas representações pintadas: mesmo os artifícios mais naturalistas, como a perspectiva, as convenções de sombra e tonalidade, as técnicas de modelagem, entre outros, meramente criam para o espectador a ilusão de olhar como que através de uma janela para o mundo, ou para algo “semelhante à vida”, embora inerte, em nosso espaço imediato. Os artistas sempre souberam que essa transformação mágica é um assunto complexo que abrange elementos de design e estrutura, linha e formato, textura e fatura, ritmo e intervalo, luz e sombra, cor e tonalidade. Esses componentes são abstratos, no sentido em que são propriedades e qualidades percebidas das coisas, e não as próprias coisas.
Percebendo essa verdade profunda acerca da representação naturalista com a força de uma revelação, muitos dos melhores artistas do século XX buscaram libertar a arte do que foi chamado de “tirania da aparência”, especialmente das convenções acadêmicas de imitação ilusionista e dos artifícios enganadores que tinham sido ensinados nas academias de arte desde a Renascença.

► a seguir: nomeando a “NOVA ARTE”.

Veja nesse mesmo espaço Arte abstrata clicando na imagem abaixo

Paul Klee e o peixe de ouro

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http://www.taschen.com/media/images/120/cover_ka_klee_0712171447_id_15134.jpgObra consultada: KLEE - Susanna Partsch

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Paul Klee foi um dos maiores coloristas da história da pintura e um dos mais poéticos entre os artistas modernos.

Monsieur Perlenschwein (porco das pérolas), 1925 -
Aquarela parcialmente pulverizada, sobre papel sobre cartão,
51,5 X 35,5 cm-
Dusseldórfia, Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen
Auto retrato de 1925, Klee utilizou, como noutros quadros desta fase, a técnica de pulverização, que consistia em cobrir partes da folha com moldes e pulverizava os pontos não cobertos com tinta aquarela. Nesse retrato em rosa cinzento, dominam os olhos quadrados, pintados com cores opacas e em que o olho direito, por rotação, se transforma num losango. Ao representar assim os olhos, Klee apoiava-se no ensaio, publicado em 1886, do físico e fisiologista Ernest Mach (1838-1916) «Die Analyse der Empfindungen un das Verhältnis des Physischen zun Psychischen» (Análise das sensações e a relação do físico com o psíquico). Klee conhecia essa obra desde 1905. As teorias de Mach e do psicólogo Friedrich Schmann ( 1863-1941), que eram um prolongamento das primeiras, foram difundidas na Bauhaus, sobretudo através do ensino de Klee . Em monsieur Perlenschwein, baseou-se diretamente nas análises de Mach, que tinha mostrado que, embora o quadrado e o losango fossem geometricamente idênticos, a sua percepção não era igual. O losango parecia mais dinâmico e maior do que o quadrado estático. Klee contrariou essa impressão, pintando o olho quadrado um pouco maior do que o olho do losango.

Clique no peixe 
O Peixe dourado, 1925 - Óleo e aquarela sobre papel cartão, 49,6 x 69,2cm - Kunsthalle/ Hamburgo
O Peixe dourado pintado pouco tempo antes, forma um contraste vivo com esta aquarela baseada nos princípios psicológicos da percepção. O grande peixe envolve o caráter misterioso do seu mundo secreto na significação.
Na água de um azul carregado (fundo do quadro), no centro do quadro, encontra-se o peixe dourado mosqueado, com as barbatanas vermelhas curtas, cauda vermelha e um olho vermelho. Ele está rodeado de plantas aquáticas azuis e de ondas feitas pelos pequenos peixes vermelhos, que fogem do grande peixe luminoso. O azul das plantas e o vermelho dos peixes transformam-se, em alguns lugares, em lilás, a cor complementar.
Foram quadros como este que, já naquela época, tornaram Klee célebre, e não as obras destinadas a ilustrar uma teoria, como é o caso de monsieur Perlenschwein. Aqui, o Peixe dourado, deu-se livre curso de interpretações: «Com serenidade de um Deus, ele divide o elemento azul... o Peixe dourado é ... uma maravilha de grandeza e de beleza. Tudo se lhe submete, tudo é para ele... aqui o símbolo do universo no qual se inscreve Klee, poeta e pintor». Ou ainda: «Persistindo num imobilismo transitório e carregado de energia, o peixe maravilhoso e incandescente ilumina o azul profundo deste mundo crepuscular, no qual se refugiam os pequenos peixes vermelhos».


http://www.taschen.com/media/images/120/cover_ka_klee_0712171447_id_15134.jpg
Obra consultada: KLEE - Susanna Partsch

Arte na Casa Branca

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Quadros modernos para decorar a Casa Branca 


Cada novo presidente dos EUA costuma pedir uma série de obras de arte às grandes coleções nacionais para, durante a sua presidência, decorar a Sala Oval e alguns outros espaços da Casa Branca. O casal Obama pediu emprestadas 47 obras de arte a museus de Washington, revelando um gosto pela arte moderna e contemporânea e pelo trabalho de artistas representantes de minorias. As escolhas revelam um gosto elaborado, apresentando algumas obras de pintura abstrata e, entre os nomes representados, alguns artistas afro-americanos e mesmo de ascendência índia, asiáticos, hispânicos e por mulheres, dando uma guinada radical da arte do século XIX que domina as paredes da Casa Branca como pintura de gênero, paisagens bucólicas e muitos retratos. As escolhas que fizerem terão inevitavelmente algumas implicações políticas. O casal Obama aprecia todo tipos de arte, mas deseja “complementar a coleção permanente” e “dar nova voz” aos modernos artistas americanos de todas as raças e origens.

Alguns deles já se encontram nas paredes do famoso Salão Oval
As obras selecionadas pelo presidente Barack Obama e sua esposa Michelle foram solicitadas a cinco museus, entre eles a National Gallery of Art e o Museu da Escultura Hirshhorn. 

Glenn Ligon - explora a corrida, a língua, o desejo, e a identidade
Harry Cooper, o curador da arte moderna e contemporânea na Galeria Nacional, disse que as seleções do Obama estão excitando o mundo de arte e devem fornecer um auxílio significante às artes em geral. Entre os quadros escolhidos figuram sete obras de artistas negros, entre as quais uma de Glenn Ligon, artista conceitual que explora os temas da política e da raça utilizando em suas telas textos, neón e fotos.
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William Johnson - arte naif
O pintor William Johnson, do movimento "Harlem Renaissance", está representado por quatro obras naif enquanto que os quadros de Alma Thomas, umas das primeiras pintoras afro-americanas, são pinturas abstratas.
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Alma Thomas, pintora afro-americana, pinturas abstratas

Jeri Redcorn  - ceramista indígeno americano

Foram escolhidas várias peças de barro cozido  de arte dos nativos americanos entre eles Jeri Redcorn, artista americano indígena de 69 anos de Normando, começou a saltar e gritar quando descobriu que uma parte da sua cerâmica está nas prateleiras para livros no Escritório Oval. 

George Catlin - pintor retratista
George Catlin pintor estado-unidense especializado em retratos de nativos americanos dos Estados Unidos da América no Velho Oeste e  do estilo de vida dos indígenas americanos do século XIX, tem uma dúzia de quadros na Casa Branca.

Jasper Johns (EUA 1930 – ) Relevo em chumbo - National Gallery, Washington DC
Do outro lado do Atlântico, além de Degas, há naturezas mortas do pintor italiano Giorgio Morandi junto a uma imagem de Nice, de Nicolas de Staël. Segundo o conselheiro de arte da Casa Branca, William Allman, a escolha dos Obama "demonstra um interesse pela verdadeira arte moderna".A lista do Obamas de itens emprestados também inclui um grupo de três intrigante de modelos evidentes no empréstimo do Museu Nacional da História Americana, inclusive modelos do registro de telégrafo de 1849 de Samuel Morse, uma máquina que corta engrenagem e um paddlewheel de um barco a vapor.
Jackie Kennedy levou um Cézanne para a Casa Branca e Hillary Clinton gostava de artistas abstratos como Kandinsky ou Kooning e as obras de Georgia O'Keefe.

Curiosidades
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A Casa Branca possui em seu interior: 

  • 132 salas 
  • 35 casas de banho
  •  6 depósitos 
  •  412 portas 
  • 147 janelas 
  •  28 lareiras
  •  8 escadarias
  •  3 elevadores
  •  5 chefs de tempo integral
  •  5.000 visitantes diários
  •  1 quadra de ténis 
  • 1 pista de bowling 
  • 1 cinema
  •  1 pista de corrida
  •  1 piscina
Mais algumas obras que se encontram na Casa Branca


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Suprematismo

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 Fontes: Teorias da Arte Moderna - H.B.CHIPP,
Arte Abstrata - Mel Gooding
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Kazimir Severinovitch Malevich, (fevereiro de 1878 – maio de 1935) Kiev - Russia.




A arte do passado, que (pelo menos ostensivamente) estava a serviço da religião e do Estado, deve, na arte pura (e inaplicada) do Suprematismo, acordar para uma vida nova e construir um mundo novo: o mundo do sentimento... 

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 O que importava era o que não podia ser visto; a energia dentro das coisas, uma ordem superior de conexão entre fenômenos, invisível mas sempre presente no mundo perceptível, a energia espiritual abstrata que anima o universo. Os suprematistas entendem que os fenômenos visuais do mundo objetivo não tem, em si, qualquer significado; essencial é o sentimento como tal, completamente independente do meio em que foi evocado. A assim chamada "concretização" do sentimento na consciência significa basicamente a concretização da reflexão acerca de um sentimento através de uma concepção realista. Tal concepção realista não tem na arte do Suprematismo, mas na arte como um todo, pois o valor real, perene, de uma obra de arte (qualquer que seja a "escola" a que ela possa pertencer) está única e exclusivamente no sentido expresso.
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Figura feminina
O naturalismo acadêmico, o naturalismo dos impressionistas, o Cézanneísmo, o Cubismo, etc... todos eles de certa forma não passam de métodos dialéticos que entre si, de algum modo determinam o real valor de uma obra de arte. 
Uma representação objetiva (aquela que tem como objetivo a representação do concreto) é algo que em si, nada tem a ver com a arte; e não obstante, a utilização da objetividade em uma obra de arte não exclui a possibilidade de ela ser de grande valor artístico.
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Pablo Picasso - Les Demoiselles D'Avignon - apesar do grande salto, ainda apresenta o figurativo
Para o Suprematista, portanto, o meio de representação apropriado é sempre aquele que possibilita a representação tão completa quanto possível do sentimento como tal, e ignora o aspecto familiar dos objetos. A objetividade, em si, não tem qualquer sentido; os conceitos da consciência não tem qualquer valor. O sentimento é o elemento determinante... e dessa forma a arte chega à representação não- objetiva, ao Suprematismo. Chega a um "deserto", no qual nada além do sentimento pode ser reconhecido.

KAZIMIR MALEVICH


Precursor da arte abstrata geométrica 


"Quando no ano de 1913, tentando desesparadamente libertar a arte do peso morto da objetividade, eu me refugiei na forma do quadrado, e criei um quadro que nada era senão um quadrado preto sobre fundo branco, a crítica, e com ela toda a sociedade, assim se lamentou:

"Tudo o que amávamos desapareceu. Estamos num deserto... temos diante de nós um quadrado preto sobre um fundo branco! " 


Quadrado preto suprematista - 1914-15 Óleo sobre tela - 79,5 x 79,5 - Galeria Tretiakov - Moscou

A pintura reproduzida aqui é a primeira versão. Fazendo parte da coleção da Galeria Tretiakov de Moscou, ela é fragil demais para viajar. As entranhas irregulares da craquelure correspondem à configuração das formas geométricas coloridas de uma composição anterior escondida pelo quadrado preto, triunfalmente obliteradas por sua superposição. O preto aplicado de maneira tão decisiva, deteriorou-se tão rapidamente que Malevich teve de repintar o quadrado no início de 1920 usando uma tinta incompatível com a primeira camada, o que originou uma extrema instabilidade de sua superfície.
.Um quadrado preto. Não muito regular, ligeiramente inclinado. Escuro como breu, uma superfície betuminosa extremamente gretada: o mais famoso vazio da história da arte moderna. Confrontado com Quadrado preto suprematista de Malevich, de 1914-15, você faz a pergunta crucial: o que devo entender dessa imagem? E essa pergunta leva a outra: em que sentido isso é realmente uma imagem? Outras perguntas se seguirão, insistentemente, pois a arte abstrata nega muitas daquelas possibilidades de interpretação oferecidas por imagens figurativas; ela exige em vez disso um esforço da imaginação, uma resposta criativa. Em primeiro lugar, devemos estar preparados para olhar sem idéias preconcebidas nem preconceito, para romper com hábitos de expectativa, para responder diretamente às relações dinâmicas entre seus elementos visíveis de cor e de forma. Em segundo lugar, devemos olhar as relações entre essa obra e outras naquele discurso vivo da arte, entre artistas e entre artistas e seus públicos, que ocorre ao longo das gerações, recuando e avançando no tempo. Precisamos olhar: precisamos saber algo; e precisamos imaginar...
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“Eu me transformei no zero da forma e me puxei para fora do lodaçal sem valor da arte acadêmica. Eu destrui o circulo do horizonte e fugi do circulo dos objetos, do anel do horizonte que aprisionou o artista e as formas da natureza. O quadrado não é uma forma subconsciente. É a criação da razão intuitiva. O rosto da nova arte. O quadrado é o infante real, vivo. É o primeiro passo da criação pura em arte”


 Kasimir Malevich levou o abstracionismo geométrico à simplicidade extrema. Foi o primeiro artista a usar elementos geométricos abstratos. Procurou sempre elaborar composições puras e cerebrais, destituídas de toda sensualidade.

Kazimir Malevich - quadrado preto e quadrado vermelho, 1915
Na década de 1920, ele esteve interessado em trabalhos que não se restringiam à pintura. Nesta época desenvolveu, junto com outros seguidores, desenhos em cerâmica e estamparias para tecidos, como mostra a imagem.
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Estamparia para tecido
Malevich criava objetos para a nova sociedade soviética, com a qual se sentia solidário. É o papel de cidadão que se junta ao de pintor. Nos modelos de chávenas e bules criados por ele, nota-se a presença indissolúvel do suprematismo, a influência marcante da sua grande obra, Quadrado Preto. 
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Bule
Kazimir Malevich também se envolveu em projetos arquitetônicos. Voltando-se para o espaço real - o espaço da arquitetura – seus projetos não eram planos perfeitos para edifícios ou fragmentos de cidades reais. Eles se chamavam “arquitetações” (Architekton) e se constituíam, muito mais, em versões tridimensionais de suas complexas composições suprematistas. Tais “arquitetações” serviam também para promover a idéia do artista como o planejador ideal da vida civil, da vida da sociedade.
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"Gota 1" - projeto de arquitetura


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Construtivismo - parte I


Uma arte construtiva que não decora, mas organiza a vida . 

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"No futuro, a materialização concreta dos valores pictóricos suplantará a arte. Então, já não precisaremos de quadros, pois viveremos no meio da arte realizada". Piet Mondrian.
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O Construtivismo é um movimento de arte abstrata que se manifesta pouco antes da Revolução Russa de 1917 e veio a subsistir até 1922.
Os Construtivistas pretendiam fazer da arte, uma investigação autónoma e cientifica, indagando das propriedades abstratas da superfície pictórica, da construção, da linha e da cor.Pretendiam aplicar esta arte ás necessidades industriais e sociais do tempo, integrando-a com o Urbanismo, a Arquitectura e os objectos de uso comum.Tiveram inicialmente influencias dos Futuristas e do Suprematismo, e fora da Rússia, exerceram enorme influencia na Bauhaus através de Moholy-Nagi e El Lissitzky no De Stijl através de El Lissitzky e genericamente no Movimento Moderno da Arquitectura.
O Construtivismo é lançado em Moscovo após a Revolução, por Vladimir Tatlin (o inicio das suas pinturas em relevo é de 1914) e Alexander Rodchenko, e ainda El Lissitzky e Naum Gabo; as suas idéias vêm para o ocidente no inicio dos anos vinte influenciando o Urbanismo, a Arquitetura, o Design e as Artes visuais.
Era de inicio uma tendência escultórica derivada da colagem, evoluindo para a execução de objectos tridimensionais, utilizando o ferro, a madeira, o vidro, arame de aço, etc.
Estes objectos acentuam a noção de estrutura e movimento no espaço, por meio de tensões e equilíbrios em detrimento de massas sólidas e estáticas." Construtivismo 
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El Lissitzky - Sala Proust (reconstrução) 1890 - Moscovo 
Artista, fotógrafo, arquiteto e docente. Fez parte da vanguarda russa dos anos 20 e 30.
O construtivismo constitui-se em tendência universal e permanente na Arte. Movimento anti-naturalista gera formas segundo uma ordem matemática, propondo uma arte abstrata, geométrica e autônoma. Corresponde a uma ruptura total com a tradição da mímese, ou da representação da realidade visível.

O movimento construtivista surgiu no período de 1913 a 1930, na Europa. Marcou determinantemente a história cultural artística, pois sofreu fortes influências da Revolução Industrial. Possui características próprias, rompendo com a arte passada e perseguindo o perfil da abstração - uma nova representação e despojamento.
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Construtivismo na  pintura

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Mikhail Larionov - Rússia - Rainonismo vermelho
Em 1913 Larionov criou o Raionismo, que foi a primeira criação próxima da arte abstrata na Rússia.
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Construtivismo na fotografia 

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Alexnander Rodchenko - Rússia
Em termos de arte uma nova visão sob outros ângulos -Alexander Rodchenko: `Menina com uma Leica', c. 1934 .
Surgiu uma nova linguagem plástica. As obras de arte passaram a apresentar elementos geométricos, técnicas surpreendentes que mostravam novas estruturas e aparências. A arte se juntou à tecnologia. O construtivismo é a síntese das teorias abstratas e científicas da arte moderna.
O artista plástico se libertou da tela e passou a utilizar materiais diversos para desenvolver suas abstrações.
O pintor não se sentia compromissado em criar o real, o tradicional.
Influenciados pela ciência, pintores exploraram as diversas formas da geometria, buscando relações óticas e de várias dimensões.
Destaca-se o pintor russo Kazimir Malevich.
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Construtivismo na escultura

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Na escultura do século XXI - um herdeiro do construtivismo e o que anda acontecendo no mundo das artes.
Matthew Chambers é um ceramista inglês que mora numa ilha na Inglaterra. Ele estudou cerâmica no Royal College of Art e se formou em 2004.
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Matthew Chambers - Inglaterra
Na escultura do século XXI - um herdeiro do construtivismo e o que anda acontecendo no mundo das artes.
Matthew Chambers é um ceramista inglês que mora numa ilha na Inglaterra. Ele estudou cerâmica no Royal College of Art e se formou em 2004.Seus trabalhos nasceram de um amor pelas formas geométricas e construtivistas, aliadas aos tons terrosos da cerâmica. Cada peça é construída de várias camadas concêntricas, que formam objetos circulares.
As esculturas podem ser fixadas na parede, ou ficarem sobre seu próprio apoio. O artista fará 5 exposições entre novembro de 2008 e 2009.


Trechos de: Teorias da Arte Moderna - H. B. Chipp

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